terça-feira, dezembro 05, 2006

HOJE TEM PALHAÇADA!



Confraria da Paixão
Teatro Popular do Brasil
Apresenta:
HOJE TEM PALHAÇADA!

Texto e direção: Luiz de Assis Monteiro

Com: Ana Clara Dumont, Cax Nofre, Giancarlo Zago, Lê Fazzio, Lucas Martins, Luiz de Assis Monteiro e Nilson Santos

02 a 17 de dezembro de 2006 - sábados e domingos às 16 hrs.

Teatro Júlia Bergmann
Rua Cruzeiro, 256 Barra Funda – Saõ Paulo/SP - tel.3392-4240 teatrojb@teatrojb.com.br
http://www.teatrojb.com.br


sexta-feira, novembro 17, 2006

Sempre uma aventura

Cheguei a conclusão que as idas para o (ou voltas do) interior são sempre uma aventura, principalmente nos feriados. No 7 de Setembro foi aquela (aqui já narrada) epopéia.
Desta última vez (feriado de finados) a ida foi tranqüila, já que saí de São Paulo um dia depois da maioria.
A estada foi ótima, fui á homenagem para vovó Francisca, foi emocionante, revi a família, me diverti. Mas, eis que chega o momento da volta...
Saí de Barretos no ônibus da 15 hrs...Sentei inocentemente na poltrona, cujo número era o mesmo da passagem que eu comprara... Parece óbvio, não? Não mesmo, porque logo depois entram no ônibus mãe(40 e poucos), filha (22) e neta (3).
Tem alguém aqui do seu lado?
- Por enquanto não, respondo eu. A mãe senta-se ao meu lado.
50 minutos depois, em minha amada terra natal, Bebedouro, sobem no ônibus outros passageiros, dentre eles, o dono da poltrona ao lado da minha. Resultado: Mãe, filha e neta mudam de lugares, e ainda sentaram em outras poltronas mais uma vez, antes de entenderem que o nº que fica em cima da poltrona tem que correponder ao nº impresso na passagem.
Eu estava na poltrona 25-janela. Senta-se ao meu lado um senhor de reluzentes cabelos pretos, acompanhado de um amigo grisalho que sentou-se na poltrona do corredor mais próxima à 26.
Já com premonições sobre o deslinde da viagem, eu calada, quase dormindo, ouço a seguinte pergunta:
Você vai até São Paulo?
Fiquei com vontade de responder: Não, eu moro no posto Castelo, única parada antes de São Paulo, mas respondi: Vou! E tentei dormir novamente.
Vários quilômetros depois, na metade do caminho, o ônibus pára no posto Castelo.
Consegui ir ao banheiro, mas não comprei nada porque a fila para pagar consumiria os 20 minutos da parada.
Aí sim começaria a emoção: Depois de São Carlos até Rio Claro o trânsito estava infernal, começamos a andar a 5 km/h, e assim permanecemos por 3 horas, devido, como eu soube depois, a obras na pista. Eu tentei me distrair com a paisagem, por do sol e tudo, mas minha tentativa zen era muito fraca, ante ao movimento dentro do ônibus. A já aludida mãe (40 e poucos) levantou-se e fez amizades e eu, mesmo sem querer, ouvi toda o história da vida dela, enquanto meu companheiro da poltrona 26 reclamava do trânsito, da chata, do ônibus... Ou seja, uma chata, um reclamão, calor, a água acabando e um trânsito horrível. Quando eu pensava que aquilo não poderia ficar pior, o motorista colocou em alto e bom som o DVD do Teodoro & Sampaio (ao vivo em Olímpia). Nada contra o Teodoro e Sampaio (desde que eu não seja forçada a ouvi-los).
Assim, as histórias de vida, as reclamações e o tráfego intensamente buzinado eram regados como som de clássicos como "Aqui pra ela", "Mulher chorona" e "Pinga ni mim"
Foi uma maravilha, fiz exercício mental de paciência, soube da filha do amigo que era safada e da outra que era meiga, da mulher vegetariana, que tinha que fazer as filhas comerem carne vermelha, soube que a filha (22) engravidara do namorado, mas que a mãe(40 e poucos) não achava boa idéia o casamento, e o resultado era a neta (3)... É sempre bom ampliar os conhecimentos.
Eu só me manifestei quando o DVD acabou e parecia que ia recomeçar, eu disse num impulso: De novo não! Um rapaz, até então calado, levantou-se, foi até o motorista e nos salvou do replay. Ufa!
Horas depois, o ônibus chegou no Tietê e à meia noite, apenas 9 horas depois de sair de Barretos, eu já estava em casa.

sábado, outubro 28, 2006

Amado, mesmo que cinza



Acordei cedo. Dia nublado. Dormi mais. Acordei de novo. O sol apareceu tímido. Hesitei. Falei com Iemanjá. Fui.
Parei na Asturias. Mesmo lugar donde fui apresentada ao mar, aos 8 anos.
Caminhei. Contemplei o oceano cinza. O sol não apareceu. Nadei assim mesmo.
Feliz e cheia de recordações namorei o mar até anoitecer. Não escrevi meu nome na areia. Comi camarão. Voltei sonolenta.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Anotações de uma segunda nublada

Ao acordar na 1º segunda-feira de outubro (pós eleições) é difícil não ter mau humor.
Meus sábados de palhaço são bem mais sérios do que a política deste país.
A manchete no jornal diz que Lulala e Alckmin–Xuxu disputarão o 2º turno, ou seja, mais quase um mês de blábláblá, programa eleitoral, baixarias e pseudo-palhaçadas da pior espécie.
Continuando a leitura do jornal, a situação piora ainda mais, Maluf e Clodovil foram eleitos deputados federais (e dos mais votados). Maluf, símbolo da “honestidade” e Clodovil, que entende... De moda! Clodovil, que nas primeiras declarações como deputado eleito, diz que não tem projetos, ser deputado é só um emprego, e quer ser apresentado à sua mesa e à sua sala.
Maluf nem merece mais comentários... Ah! E nosso digníssimo ex-Presidente Fernando Collor de Mello foi eleito senador de Alagoas...
É melhor eu parar de falar sobre política, porque torna minha segunda-feira nublada, mais escura e nefasta.
Saudade da época em que eu acreditava...

quarta-feira, setembro 13, 2006

Independence Day, a Epopéia

Um tanto quanto sonada, entrei no carro no meu irmão às 7:30 hrs da manhã para passarmos o feriado em família.
Destino Barretos.
Distância aproximada: 450 km.
Tempo previsto para o percurso: 5 a 6 horas.
Na metade do caminho, em São Carlos, paramos num posto, já que, o carro estava puxando muito para o lado esquerdo.
O solícito mecânico constatou que a homocinética estava quebrada, mas que em meia hora o carro estaria pronto.
Chegamos ao posto às 10:24 hrs. e saímos de lá às 16:30 hrs. depois de muito stress, dos mecânicos desmontarem o carro e acabarem de quebrar o eixo (sim, eu até aprendi que no Gol 98 o eixo e a homocinética são um peça só e não se pode tirar um sem o outro, e não adianta martelar nem usar serra elétrica, como fizeram).



Passei o dia todo do feriado em São Carlos, mais precisamente no posto Graal, foi muito divertido... Deu tempo de ler, de aprender sobre mecânica, de falar ao telefone, de inventar várias brincadeiras para distrair meu sobrinho, de conhecer todos os funcionários do posto, do caixa à tia do banheiro, que estava com problema de pressão.



Bom, mas ao por do sol, o golzinho homocinético estava sobre o guincho da Porto Seguro e nós estávamos acomodados do táxi do Sr. Francisco, que a seguradora nos mandou, todos acreditando que o destino estava próximo... Porém, eis que o táxi do Sr. Francisco começou a esquentar, eu estava cochilando quando ouvi a notícia e achei que era brincadeira, pois me disseram que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar... Mas aprendi dois carros quebram com os mesmos passageiros no mesmo dia. Sempre aprendendo sobre mecânica, paramos na beira da estrada perto de Matão, devido ao mal funcionamento da bomba do termostato.



À essa altura, não tínhamos mais forças para xingar, primeiro ficamos meio catatônicos, depois começamos a rir, o guincho (o que trazia o Gol) chegou, o filho do motorista do guincho, que é mecânico, foi arrumar o carro.
A lua estava nascendo lindíssima e eu resolvi tirar fotos e brincar de “tacataca” com o risonho Iaguinho.



Chegou o carro de ajuda da rodovia, o filho do Sr. Marinho (o motorista do guincho) mexeu daqui dali e um tempo depois (resolvi nem contar muito) o táxi do Sr. Francisco voltou a funcionar.




Enfim, a epopéia estava chegando ao fim...


Chegamos na casa da minha mãe apenas 14 horas depois de sair da minha casa, sãos, salvos, cansado e famintos... Sorte que almoço estava pronto desde das 13 hrs.

terça-feira, agosto 08, 2006

ENTREATO



ENTREATO

Espetáculo resultante da Oficina Laboratório do Ator, no qual mais de trinta atores percorrerão o prédio histórico, onde funciona a Casa de Cultura Amacio Mazzaropi, apresentando cenas de peças de Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Jean Genet, José Vicente, Frederico García Lorca, amarradas pela concepção e direção de Moisés Miastkwosky e Robson Raga

Elenco:
Alexandre Rabello
Alex Muzel
Ana Maturano
Carla Ribeiro
Carlos Rito
Cax Nofre
Danuza Souza
Diogo Cabuli
Elisa Veeck
Fernando Lima
João Santana
Luciana Semensatto
Luciano Sevla
Mariana Uchôa
Mariangella Brancon
Maruana Gonçalves
Mauricio Stipkovisc
Marilda Carvalho
Michell Oliver
Naira Coelho
Natalia Kesper
Patrícia Leal
Rafael Leite
Romeu Lopes
Silvia Sotero
Suelen Santana
Zé Marques
Zeca Volga
Atriz convidada: Flavi de Pádua
Participações especiais: Levi Zinélio, Michel Ribeiro

PRODUÇÃO: Cícero Pais

Onde: Av. Rangel Pestana 2401 – Brás -São Paulo - SP

Quando: Somente dia 11/08/06, 6ªfeira, às 19:30h

Quanto: ENTRADA GRATUITA!

Estacionamento conveniado - R$5,00 - R. do Hipódromo 230. (É só avisar que vai ao teatro.)

Estações de Metrô próximas: Brás e Bresser

terça-feira, julho 25, 2006

Imagens da Sé


Quase todos os dias meus olhos assistem a muitas imagens na praça da Sé, num dia crianças montadas numa vaquinha, noutro, um beijo apaixonado na saída do metrô, enquanto freiras e monges descem a escada rolante, ao lado de um cantor de samba, em plena atividade.
O rapaz sorridente lendo poesias, ou o razinza atropelando todo mundo para sair do trem; Uma vez, até ganhei um livro de poesias de um escritor simpático “Sonetos do último Quarto do Século XX – Volume V”.
Já ensinei um rapaz a passar na catraca, já presenciei vários manifestos, já ouvi várias pregações, algumas estapafúrdias, já parei para fotografar o sol entre as arvores da praça.
A poucos dias, saindo do buraco do metrô, vi uma moça que gritava: “Doeu, doeu! Tá doendo ainda!” Ela repetiu a dor muitas vezes, em gritos de desabafo, durante todo o dia pensei naquela mulher, que era provavelmente mais jovem que eu, mas que já deve ter vivido coisas que nem imagino, imaginei qual seria a causa de tanto sofrimento, mas eu nunca saberei exatamente. Teria enlouquecido? E o que seria enlouquecer? A consciência plena da realidade ou a falta dela?
Percebi que somente quando eu chegar perto do entendimento daquela dor imensa, poderei fazer, de verdade, o papel que me foi dado “A Africana”. Senti medo, entender o sofrimento alheio dói, porque é preciso suspender a anestesia natural.
Hoje, dia de sol, feliz, perdida em pensamentos românticos sob a trilha de Schumann, desci novamente na praça da Sé, dentre várias imagens, eu vi nitidamente um cachorrinho preto, filhote, simpático, abanar o rabo para um humano, de blusa amarela, que respondeu ao agrado com um chute horrível.
Eu gritei: Bruto!
O homem de blusa amarela seguiu seu caminho sem olhar pra trás
O cachorrinho saiu choroso e eu vi sua protetora embaixo da carriola de papelão acolhendo-o e escondendo-se como se a agressão tivesse sido dirigida a ela própria.
Segui para o trabalho.

terça-feira, julho 11, 2006

A Farsa do Boi Surubão


A Confraria da Paixão estará apresentando, nos dias 14, 15 e 16 de julho, às 19:00 horas, no Teatro Julia Bergmann, o espetáculo A Farsa do Boi Surubão.
O tema do espetáculo é a literatura de cordel. Conta a história de um poeta popular que sai pelo mundo vendendo seus folhetos. Em sua saga, mostra ao público quatro de suas histórias: A virgem que se pensou incomodada por causa do desmantelo; A menina que ficou prenha vendo o boi iluminado; De como o Senhor Nosso Deus resolveu dar um fim à bandalheira; e O sujeito que meteu a mão na cumbuca e arranjou um par de chifres.

Elenco:
Bruno Matos
Cátia de Oliveira
Cax Nofre
Di Crunfli
Éder Soares
Eduardo Poyares
Filipe Barbo
Leda Abade
Luiz de Assis Monteiro
Silvana de Oliveira
Vagner Anjinho
Vicente Chala
Texto e direção: Luiz de Assis Monteiro.

O Teatro Julia Bergman fica na Rua Cruzeiro, 256 - Barra Funda.
Fone: 3392.4240 (www.teatrojb.com.br)

sábado, julho 08, 2006

Giovanni Pasquini

Não tenho mais dúvidas, io vou torcer para a Azurra domani! Perchè hoje eu conheci o Senhor Giovanni Pasquini.
Depois da minha aula de palhaço, em que a Cax tomou bronca do palhaço dela, eu fui fazer compras e na volta resolvi comprar uma bota Sete Léguas para lavar o espaço de ensaio do Trocadilhos & Sobressaltos, quando eu estava experimentando minha bota dois números além do meu, recebi o sorriso simpático de um senhor bem humorado de boina, que me deu conselhos de graça e se apresentou como artista plástico e escritor, uma pessoa cheia de luz que escreveu Palavras Reflexões e Cores, Confissões de um Menino de 70 Anos, pintou um quadro que está no Sapori de Rose no Copan e em breve terá uma exposição.
Meu vizinho, que foi comprar meio litro de cloro, enquanto eu experimentava minha bota Sete Léguas!
Percebo que desde ontem estou em ótima sintonia, pois tenho atraído coisas muito boas e hoje teve palhaço, amanhã tem boi, durante a semana muita peça, ensaio, dedicação agitação...
A vida segue louca e boa, não importa se como um trem, um avião ou um coração.
Dali Azurra!

quinta-feira, julho 06, 2006

Pé Frio

Eu estou começando a achar que sou pé-frio.
Primeiro, porque sou friorenta pra caralho, e meu pé fica literalmente frio.
Segundo, porque a Copa 2006 tem me convencido do sentido metáfórico do pé frio.
Eu torci para o Brasil, é claro! E não preciso repetir (mas vou) que nos demos bem mal.
Hoje eu torci pra Portugal, por causa do Felipão, do Deco e do meu bisavô (e porque era contra a França), mas Portugal teve a mesma sina da seleção amarelada: 1 a 0 pros França.
Os lusitanos estarão a disputar o 3º lugar, seleção valente!
Pensando bem, ontem eu torci para o Itália e não é que a Itália ganhou?! Vai ver que eu não sou tão pé frio, a Azurra está na final, quase foi desclassificada merecidamente pela Austrália, mas está lá na final e ninguém vai lembrar deste "detalhe" se eles levarem a taça.
Aí vem meu dilema, domingo tem França e Itália, não sou dessas que consegue não torcer pra ninguém numa Copa do Mundo (mesmo depois do quadrado mágico ter caído no buraco negro).
Torcer pra França será difícil, pois, embora eu tenha meu amigo francês, Gui, que eu adoro... Dor de cotovelo é dor de cotovelo, e já são duas Copas que, pelos pés dos chéris, as estrelas do Brasil se transformam em tristeza dos brasileiros (e nada do Zidane dizer au revoir!).
Já a Itália, não consta do meu currículo conhecido de ascendência, mas meu amigo querido Iago, embora não fale italiano, nem conheça a Itália (ainda) é italiano, além do mais, eu já vi a Itália perder do Brasil naquele penalti-lua do Baggio (contra aquela nossa seleção retranqueira feia de 94, que nos trouxe o tetra) e não vi o Brasil perder ridiculamente duas vezes seguidas da Azzura. Ou seja: Eu não tenho dor de cotovelo da Itália.
E dor de cotovelo é dor de cotovelo!
Mas daí me fica a dúvida: E se eu for mesmo pé frio?
Será que torço ao contrário?

domingo, julho 02, 2006

seria melhor não recordar

Em 1986, eu estava na casa minha amiga Laine, a mesma que depois disse que não gostava de mim, o Zico bateu o penalti e não fez o gol. Acabava ali a Copa de 1986 para o Brasil.
Em 1990, eu, adolescente, escrevi no meu diário, sobre a derrota do Brasil, apesar da seleção brasileira ter jogado melhor, perdeu para a Argentina e fomos eliminados da Copa.
Em 1998, eu assiti ao fatídico jogo de final da Brasil x França, com o Falavigna e pai dele, Sr. Oscar, que não veria o Brasil Penta, não vou me torturar ainda mais lembrando deste jogo, mesmo porque, há poucas horas atrás eu assisti a outra tragédia com os mesmos personagens, e o mesmo vitorioso algoz.
Em 1º de julho de 2006, Brasil e França se enfrentam pelas quartas de final da Copa do Mundo, em clima de revanche (pelo menos para os torcedores). Meus amigos chegados vieram à minha casa, fizemos churrasco tomamos cerveja, cantamos o hino, Iaguinho balançando a bandeira... A seleção entrou em campo com boa marcação, escalação promissora, todo mundo feliz, cheio de esperança... E as coisas começaram a dar errado, muito errado, a maldita premonição do Pelé começou a tomar forma, ele jamais deveria ter aberto a boca... Jogamos mal, no segundo tempo a foto da partida se concretizou, o maldito francês fez o gol. O relógio não parou, o Brasil não marcou. Perdemos. Voltou aquela sensação horrível, de 8 anos atrás. Parecia que eu levara um soco no estômago.
Todo mundo ficou triste, o clima do churrasco mudou. A Copa acabou para nós. Eu queria mesmo ficar feliz, esquecer isso tudo, bola pra frente...Bola?!
Gostar de futebol, não é um casamento com direito a divórcio.
Dormi atordoada, tive pesadelo, acordei cedo.
Sorte do Iaguinho, que ainda não entende nada disso.
Só nos resta torcer para o Portugal de Felipão, ou esquecer essa história de futebol (como se fosse possível...).
Que o teatro me seja analgésico hoje.

terça-feira, junho 27, 2006

O Gordo

e eu adoro o gordo! Ah gordo querido!
Eu preferia Espanha, mas vem França, haja coração, nada de recordar...
E cheiro de concretização do palpite Cax-Ri

quarta-feira, junho 21, 2006

Turbilhão

por que será que tudo acontece ao mesmo tempo?
me sinto num filme de gênero muito variado, se eu tentasse explicar não conseguiria
estranho...
as estranhas entranhas se estranham
se atracam
o trem bala segue
ou seria um avião?

segunda-feira, junho 12, 2006

Lua Cheia



...E foi tão bom cantar com o Zé, fotografar gnomos, dançar quadrilha sob a luz da lua, rir sem parar, ver o sol nascer...

segunda-feira, maio 15, 2006

Segunda-Pijama



Acordei de má vontade, como às segundas, fui trabalhar.
De repente me dei conta do pânico geral, todo mundo preocupado, exacerbado, meu chefe tentava , como sempre, ver tudo da melhor maneira, que no caso era a menos ruim, eu via tudo de longe, parecia um filme, eu ainda estava anestesiada pelo fim de semana.
Resolvi almoçar e desisti de ir à Marisa (de mulher pra mulher), então me dei conta que eu também estava com medo. Voltei para o trabalho pensando em Angola, em guerra civil... Tudo era tão distante e tão próximo, tudo ainda me parece filme.
Todos os meus estão bem, meu sobrinho continua brincando sem saber de nada ... Ponho roupa na máquina me sirvo de vinho e vejo Lost, Lost Retrospectiva, ainda me sinto estranha, anestesiada, sem vontade de fazer nada, a não ser, me anestesiar ainda mais.

domingo, maio 14, 2006

Tudo quase igual, mas diferente



Quando eu cheguei, minha mãe estava me esperando como quase sempre, mas quando eu abri o portão o Fred não veio me encontrar, a lua estava cheia e alta e eu a observei por muito tempo enquanto escondia minhas lágrimas atrasadas,
Comidinha boa, caminha quente.
Meu pai estava em casa cedo e almoçamos todos juntos um franguinho caipira.
Até ensaiei. Filme na madrugada igual.
Telefone tocando na madrugada pode ter dois significados: Amigo bêbado na balada ou notícia triste, não tinha nenhum amigo bêbado. Minha mãe disse que a notícia era boa porque ele estava sofrendo muito, embora ela tivesse razão, notícia de morte nunca foi boa para mim, quem sabe quando o Bush morrer, mas não era o caso.
Eu tentei dormir, mas me lembrei dele o tempo todo, tínhamos a mesma idade.
Ailton nasceu 13 dias antes de mim, na Bahia, numa cidadela perto de Ilhéus, adulto, mudou-se para São Paulo, como eu. Lutava karatê, como eu vi nas fotos, mas quando eu o conheci, ele já não tinha um braço, trabalhava como voluntário no CVV, atendendo telefonemas de pessoas desesperadas. Pelas previsões médicas, eu nem o conheceria, mas ele era tão vivo, alegre, disposto que, no fundo eu não acreditava que ele morreria de verdade.
Em 1988, eu tinha prometido nunca mais ir à velórios, mas no sábado, mudei de idéia, não sei porque, tive que ir. Não consegui ficar, era tudo tão estranho e tão natural, olhei para o céu de novo, estava azul, uma pipa rebolava colorida e eu pensei seria para ele que ela dançava.
Ritual triste, sol forte, palavras inúteis e caminhadas necessárias, passeando pelo cemitério encontrei fotos de parentes próximos e distantes e apreciei obras de arte, todo mundo agindo tão naturalmente, tudo era natural, reparei no zelador do cemitério, no cara que fechava o tumulo e até no rapaz que fumava deitado na lápide ao lado da gordinha.
Sensação estranha aquela, me lembrei de quando eu era criança e ia ao cemitério com o tio Luiz lavar túmulos e passear, depois lembrei-me do porque eu não gostava mais de ir a cemitérios. A escultura em mármore carrara no tumulo do meu bisavô, me atordou.
Segui, saí.
À noite tomávamos cerveja e comíamos torresmo, quando a família do Ailton chegou, o irmão dele parecia tanto com ele que senti ia chorar de novo, mas o céu estava longe e resolvi cozinhar o virado, haviam gatos no caminho, vários gatos fofos.
No domingo de dia das mães com a comida deliciosa da tia Rosa, pertinho de mãinha e vóinha, com o tio e o primo contando dos barracos e das proezas inconseqüentes da infância, senti que muita coisa ainda era igual.
Saí mais cedo, mas dormi quase o tempo todo, como de costume. Já em casa, sinto que nada é igual, mas sempre será semelhante.

segunda-feira, maio 08, 2006

O Perfume (não o de Süskind)


Quando eu tinha 16 anos e cursava o 2º Colegial no Colégio Soares de Oliveira, em 1992, a pedido da Profª Lucília, eu li “O Perfume”, de Patrick Süskind, foi uma boa experiência, li o livro de um um dia para o outro, de última hora, mas fiquei feliz por conseguir ler tão rápido e gostei do livro, sempre me lembro de partes inteiras dele, o que acontece somente com mais um ou dois.
Na semana passada, amargamente lembrei-me deste livro, mas não foi nada bom.
Com o intuito de aprimorar meus conhecimentos artísticos, inscrevi-me numa oficina de teatro no espaço Cultural Mazzaropi. Feliz por ter conseguido uma disputada vaga, lá fui eu animadamente rumo a zona leste, enfrentando ônibus elétrico lotado, atrasado e posteriormente quebrado. Mesmo assim cheguei a tempo.
Todo mundo feliz, se cumprimentando, aquela conhecida coisa de início de um curso, de novas amizades, de um processo conjunto. Até aí tudo tranqüilo. Pouco tempo depois eu já estava achando aquele negócio de “ Você sabe abraçar? Abrace de verdade, tudo sem maldade...” meio estranho, mesmo porque, o rapaz ao meu lado, assumidamente gay, torceu o nariz para me abraçar, à procura de um menino bonito.
À essa altura eu já estava pensando: Por que eu me meti em uma terapia para problemáticos sexuais? Mas, em seguida, encontrei algumas pessoas mais inocentes e mais éticas e me confortei: "É apenas uma bichinha mal resolvida em meio a atores que querem aprender."
Uns quatro abraços depois, em outro exercício, enxergo 90% do grupo sofrendo de canastrice aguda e o diretor do curso me ignorando, não me chamando para nenhum exercício. Ok! Talvez seja necessário uma experiência em que eu tenha que provar meu possível talento para uma pessoa que não me conhece e nem simpatiza comigo. Até aí eu estava achando tudo uma experiência, talvez desnecessária, mas uma experiência, mas eis que ficamos 30 pessoas deitadas no chão se amontoando, a pedido do diretor e no meu apertado núcleo alguém libera um gás mal-cheiroso.
Situação constrangedora, daquela que todos fingem que não ocorreu, primeira etapa do perfume,
Em seguida fui designada para fazer um exercício de confiança e proximidade com uma pessoa que não tomava banho há, no mínimo, uns três dias, o cheiro era tão horrível e tão forte que me dava náuseas, eu tive que me segurar para não vomitar várias vezes e eu juro que nem tenho olfato apurado, mas a coisa estava num nível, que mesmo agora quando eu lembro... É minha pior memória olfativa, seria cômico, se não fosse trágico. Tentei ver o lado bom: Uma memória emotivo-olfativa traumatizante que pode me ajudar no processo Stanislavski, um melhor desenvolvimento do controle do meu estomago, um tópico no blog....
Mas, na verdade, eu penso muito mais: Por que tinha que ser comigo?
Só acontece comigo? Cair numa oficina de terapia do abraço com um porcão?
(Que me desculpem os porcos)

sexta-feira, abril 21, 2006

Não-Relação

No mundo moderno, há relações que não existem, ou esquisitamente querem fingir existir, relações de pessoas que transam esporadicamente, mas se vigiam veementemente, pelo orkut, pelo MSN, pelo fotolog, blog...Por tudo que anonimamente.
Eles se conversam civilizadamente, marcam uma cerveja pra qualquer dia desses, que será nunca ou nalgum daqueles dias em que eles se encontram sem querer e sem ninguém (ou seja, desacompanhados e carentes), se dizem independentes e felizes, sem compromisso, mas
no momento seguinte deixam a guria em casa e o guri dormindo para verificar a página do outro: O amigo colorido, sem cor.
Os modernos são amantes, mas não admitem amar, sofrem, mas relevam, choram, mas dizem que é por causa do filme cult, comem sem engordar. Os modernos são legais e modernos.
A não-relação cresce no decorrer dos anos, cresce padecendo, sem vir a ser.
Os seres humanos empobrecem enobrecidos, se fingem enaltecidos, choram escondidos e comunicam-se com rapidez e escassez.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Azul Desbotado

Um escorpiano de olhos azuis preencheria minha solidão no bar amarelo.
Ombros para o chão, sorriso sem luz e olhos que não me foram mar.
Apesar da rede na varanda, do saquê e dos filmes da Janis e do Barret...
O vazio continua vazio, de olho no céu.
A solidão me sorri intensamente e seduz mais que o escorpião.
Pego um táxi.
A cabra continua a subir a montanha só.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

13 a 33


Aos 13, ela se encantou pelo filho do Seu Zé, que lhe servia doce sírio amarelo e vermelho no bar da esquina..
Aos 15, flertava com o garçom da barraca de praia de frente à colônia de férias.
Aos 17, ficou com o Sebastian, o barman do Los Gringos.
Aos 21, namorou o Giovani, que servia no Piola.
Aos 23, na sua formatura, ganhou uma garrafa de champagne do rapaz do buffet do baile.
Aos 25 ,casou-se com o Rodrigo, que trabalhava na Casa Belfiore, um pub vizinho.
Aos 27, ela ficou sócia da Belfiore e logo depois descobriu que estava grávida.
Aos 30, o casamento terminou.
Aos 31, ela começou a freqüentar o Berlin, um novo bar da Barra Funda.
Aos 33 casou-se novamente com o Raul, o garçom do Berlin.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Purple Hat


Depois da reunião do Trocadilhos e Sobressaltos, seguimos eu e meu ex-namorado-primo-parceiro-irmão, para nosso local preferido. Graças aos Deuses do Álcool, ela, a Belfiore, estava lá, a nossa espera, com amigos de sempre e de longe, cachorro, gente moderna conhecida e desconhecida, olhares amigáveis, Supla de chapéu roxo e o garçom de olhos tristes de ressaca, como os de Capitu.
Originais e Originais, papos-cabeça, conversas despretensiosas, fumaça, som e torpedos inadiáveis convivem conosco por um tempo feliz.
No horário da Cinderela de bruxas-vizinhas, as janelas fecham, Belfiore quase completamente tomada, noite Belfiore terminando, noite Berlin começando, fe ou infelizmente sem mim, já que Iago, meu inimaginável superego do momento, conteve meu compulsivo, desenfreado, alcoólico e luiziano desejo da balada de terça-feira.
À 1:30 da manhã eu já estava no aconchego do meu lençol azul.
Balanço:
+ : Uma quarta-feira produtiva de trabalho e capoeira, menos negativos na minha conta-corrente, menos desgaste para o meu fígado
- : Uma balada a menos no currículo.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Impressões de um Reveillon BBB (piada interna)


Cheguei àquela cidade depois do mini-tsunami, dividi um apartamento com amigos de meia-idade, tínhamos entre nós um casal não bíblico.
Analisamos a vida de seres extraterrestres famosos, ouvimos reggae e fotografamos gringos-coxinha.
O milagroso estava entre nós, os helicópteros nos sobrevoavam, mas mesmo assim fumávamos.
Entre caminhadas, alongamentos e porres, cozinhávamos e nos alimentávamos bastante bem.
Nadando e furando ondas, desbravamos o litoral norte paulista, quase a custa da vida de um dos nossos, que felizmente foi salvo pelo Brabo herói presente.
Erramos o caminho da Praia do Cedro e chegamos à Pitangueiras e depois à Enseada. Assim, decidimos em definitivo adotar a Vermelhinha, onde passamos a virada depois de cearmos e distribuirmos presente para nossos jovens e necessitados vizinhos.
Ao final da jornada, o céu fechou de tristeza, visitamos Toninhas e partimos deixando o Milagroso à espera do verdadeiros donos.
Tempos depois eu chegaria à São Paulo sobre o agitado guincho.
Pura emoção.

Músculos