quinta-feira, dezembro 22, 2005

Depois da tempestade


Acordo meio zonza com o telefone, é Harumi que esqueceu a máquina e carteira.
Minha casa, parece que foi devastada pelo tsunami, mas ainda cheira levemente a churrasco.
Entro no banho e embalada pela água vou lembrando em flashes do dia anterior, a festa foi um sucesso, quanta gente! Toda essa lista aí debaixo (se não esqueci de ninguém).
Teve violão, comida, bebida, bebida, dança, karaokê, fumaça, beijo, presente, gente desmaiando no banheiro, dormindo no quarto, cantando na sala, conversando no quintal, tomando chuva, fugindo da chuva, interfone, telefone, celular tocando, gente falando (só não lembro bem o que), comemoração do tri, ó Tricolor!
São Paulinos contentes, corintianos, santistas, violeiro palmeirense, gente de todo time, amigos de muito antes, amigos novos, amigos.
A chuveirada ajuda e a Cleuzinha chega pra me salvar do tsunami. Meio zonza eu vou trabalhar, uma segunda devaneada, depois de um domingo agitado.
Adoro festas.

em 18 de dezembro de 2005

  1. Alê
  2. amiga Noélia
  3. Ana
  4. Andréia
  5. Anjinho
  6. Araí
  7. Bigas
  8. Bruno (Eli)
  9. Bruno Matos
  10. Bruno (Ricardinho)
  11. Carol
  12. Cátia
  13. Cax
  14. César
  15. Cleuza
  16. Dani
  17. Éder
  18. Edson
  19. Eli
  20. Eli (Confraria)
  21. Filipe
  22. Flávio
  23. Giba
  24. Iago
  25. Iaguinho
  26. Irmã Andréia
  27. Luana
  28. Luiz
  29. Marcus
  30. Mariano
  31. Namorado Andréia
  32. Noélia
  33. Odécio
  34. Paula Nam.Flávio
  35. Pu
  36. Renata
  37. Ricardinho
  38. Richard
  39. Ronan
  40. Scot
  41. Silvana
  42. Simone
  43. Tati
  44. Tayla
  45. Tocha
  46. Tony
  47. Vagner
  48. Vicente
  49. Vivi
  50. Zezo

terça-feira, dezembro 13, 2005

Das Dô


Das Dô, Maria das Dores
Sertaneja forte com filho na barriga e alma de criança
Mulher casada, encantada, cheia de felicidade da ingenuidade
e de tristeza na realidade
Mulher de fibra que vibra com pombos e chora no chão
Mulher de fé e anjo da guarda, de pouca idade e pouca duração
Cheia de dor, de pavor e de amor
Mulher real do irreal
Das Dô, Das Dô
Meu Amô!

quarta-feira, outubro 05, 2005

O Maninho

Eu tenho um único irmão biológico, mas é o irmão.
Irmão de verdade não só de sangue, de letra, de mesmo pai e mesma mãe, muito mais que isso, irmão mesmo. De corpo, de alma, de vida, de copo, de chão, de sonho, de separação, irmão de ombro grande e senso humor, irmão que se pode contar, irmão-cúmplice, irmão kbção, irmão bonitão, irmãozão.
Quando éramos crianças, é claro que eu adorava pentelhar o caçulinha, e ele ficava bravo e me pentelhava também, mas se alguém era contra um nós, aí mano... Era contra os dois, até a mãe e o pai...
Não é porque dividimos a infância, as casas, os apartamentos, as bicicletas, os pais, os avós, os tios, os primos, os amigos, os gatos, os cachorros, a mesa, a televisão, os natais, as brigas, as aventuras, as culpas, os traumas, as alegrias, as tristezas e toda essa coisa de irmão que é pra sempre, é porque se eu fosse escolher, eu escolheria esse irmão, meu irmão, o maninho, que hoje completa 28 aninhos.

terça-feira, outubro 04, 2005

Tem dias

Tem dias que eu queria ser nem sei o que
Queria não me preocupar, não ter contas para pagar, nem saber o que é dinheiro
Tem dias que eu queria não estar onde estou e ser livre.
Tem dias que eu queria ser pelo menos ignorante, que eu não queria nem pensar
Tem dias que eu queria voar
E tem dias que eu não queria nem existir

sexta-feira, setembro 23, 2005

Plagiando Angeli

Eu odeio pessoas que ficam no meio da porta do elevador ou do metrô impedindo a passagem.
Eu odeio passar frio, principalmente se for por ar condicionado
Eu odeio 4 queijos
Adoro fotografar pessoas inesperadamente.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Um Dia a Casa Cai ou Milagres Acontecem

Há quase uma semana o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo está preso.
Hoje às 9 da manhã recebi uma mensagem no celular de um amigo:
"NEGARAM O HC DO MALUF
KKKKKKKKKKKK"
A tarde falei com meu pai e perguntei: Alguma novidade?
"Só o Maluf que continua preso"
Realmente eu, meu pai, meu amigo e várias outras pessoas estamos boquiabertos, pois não achávamos que veríamos alguma punição para essa figura mitológica do cenário brasileiro que sempre fez o que quis sem se importar com a lei, o autor da célebre frase "Estupra, mas não mata", que tem o mérito de sempre encarnar o personagem honesto de maneira farsesca e convincente para muitos. Ele e seu exército de advogados sempre conseguiram marchar impunemente sobre o dinheiro público...
Na verdade acho que nem o próprio Maluf acredita no está acontecendo, ele deve achar que logo vai acordar deste pesadelo e se candidatar às próximas eleições...

sexta-feira, agosto 12, 2005

Tristeza

Dificuldade de ficar sozinho consigo
As palavras escondem, o silêncio mostra
Com a cerveja passa, com a ressaca volta,
Na corrida passa, na parada volta
Durante o sono passa, no despertar volta
Na dança passa, no descanso volta
Durante o filme passa, no letreiro volta
Na leitura passa, no final do livro volta
E volta e volta e volta...
Com o tempo diminui, se enfraquece, passa...
Às vezes volta

quinta-feira, agosto 11, 2005

Hoping

Cada vez que o telefone toca, que o celular vibra, que o interfone chama...
A voz da menina do telemarketing, a mensagem da Vivo, o aviso do zelador...
Tortura, mãos geladas.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Fracasso

Quando a onda atinge seu castelinho de areia que você achou que era tão sólido, que estava tão seguro...
A onda volta para o mar e a praia continua lá como se você nunca tivesse passado por ali, como se nunca tivesse existido nada, só restam as imagens da sua cabeça, que só você ainda pode ver, que terão a duração da sua memória, mas um dia virá outra onda e castelo não existirá mais em parte alguma.

quarta-feira, julho 27, 2005

É assim

Parece que estou esperando uma ligação muito importante e o telefone vai tocar a qualquer momento
Faltam poucos minutos para a viagem que eu planejo desde a adolescência
A última palavra antes do beijo
O início daquela frase que termina com eu te amo ou acabou
O longo caminho entre a porta do meu apartamento e quem há muito espero
Os passos dentro da maternidade para conhecer meu sobrinho
Os 20 minutos finais da trilha de Machu Picchu
A adrenalidade antes de mergulhar em mar aberto
A procura pelo meu nome na lista dos aprovados
O momento em que tomo coragem e digo exatamente o que penso
Ansiedade de descobrir se está sol quando acordo no litoral
Sensação de não caber em mim
De explosão iminente
Ansiedade da primeira vez
É assim que me sinto antes de estrear uma peça e antes de cada apresentação
É assim minha paixão pelo teatro.

sexta-feira, março 25, 2005

Carinha de Joelho

Ele chegou na quinta a noite, às 23:15 hs., enquanto eu pulava no show dos Sebosos.
Na madrugada, fui encontrar o pai com cerveja e sanduíches para comemorarmos, a mãe estava muito cansada.
Só o conheci na sexta de manhã, tão pequenino, de olhos fechados, menorzinho que meu boneco bebê da infância, que se chamava Eduardo. Ele se chama Iago "aquele que vence" acabou de vencer a primeira batalha: Chegou.
Ele até parece de brinquedo, mas é tão real, que comove todos. A mãe está deslumbrada, o pai com um sorriso permanente na cara e tia conta para todo mundo: "Virei titia!" . Todos marinheiros de primeira viagem, com olhos arregalados para não perder nenhum movimento do mais novo ser humano que eles conhecem, até parece difícil acreditar que a gente também já foi daquele tamanho.
É realmente impossível não ficar piegas e bobo diante da carinha de joelho mais lindo do mundo.

terça-feira, março 15, 2005

Uma Tarde Feminina

Saí correndo do trabalho, com dois estagiários me seguindo, fazendo perguntas idiotas e minha chefe me lembrando do prazo final para a entrega da matéria. Já no elevador notei que havia esquecido o endereço da médica, voltei. A tia do café quando me viu já começou a rir da minha cara: “Não esquece a cabeça porque está grudada...hahahá!”
No estacionamento, meu carro estava espremido entre dois outros enormes, atrás de um fusquinha amarelo, me atrasei mais ainda.
Enfim consegui sair do prédio, peguei um puta trânsito na Brigadeiro. Correndo e suando cheguei ao consultório 20 minutos atrasada, entreguei a carteirinha do convênio à secretária, a sala de espera estava lotada, me espremi entre uma senhora falante e uma grávida enorme, procurei uma revista na mesinha, as opções: doenças, gestantes, fofocas...Por sorte achei um almanaque da Mônica, quadrinhos e mais quadrinhos depois dra. Esmeralda aparece na porta e anuncia meu nome. Lá vou eu.

Dra.: Oi! Tudo bem?

Eu: Tudo!

Dra.: Sente-se

Eu: Obrigada

Dra.: Com que idade você está?

Eu: 32.

Dra.: Data da última menstruação?

Eu: 7 de fevereiro

Dra.: Ainda está usando o Mercilon?

Eu: Não, parei.

Dra.: Está usando o que?

Eu: Camisinha.

Dra.: Só?

Eu: Só.

Dra.: Muito bem. E filhos?

Eu: Não penso em ter.

Dra.: Não???

Eu: Não.

Dra.: O que aconteceu com as moças de antigamente? Não quer mesmo?

Eu: Já tenho dois sobrinhos que eu adoro.

Dra.: Atualmente a mulher pensa na carreira, tem muitas atividades, e quando resolve que quer ter filhos, pode estar ficando tarde, mas hoje em dia a mulher não tem mais aquela obrigação de casar, pode curtir a vida, viajar...

Eu: Ainda bem não é?!

Dra.: Parceiro fixo?

(Nesse ponto, lembrei do meu dentista que quando soube que eu não tinha namorado, quis me empurrar o filho maluco)

Eu: Sim.

Dra.: Quantos anos ele tem?

Eu: 39

Dra.: E ele não pensa em ter filhos?

Eu: Não sei, estamos namorando há quatro meses, acho um pouco cedo para falarmos sobre filhos.

Dra.: É cedo realmente. Vamos ver como você está? Tire o sapato e suba na balança.

Dra.: 62 quilos. Precisamos fazer uma ginástica para perder a barriguinha!

Eu: É verdade, mas dá uma preguiça!

Dra.: Vamos passar para a salinha ao lado?

Lá vou eu para a tal salinha, tiro a roupa e me encaixo naquele horrível divã na posição frango assado, eu olho a luz do teto, a Dra. diz para eu relaxar enquanto conversa com assistente e mexe nas minhas íntimas entranhas, eu olho de novo para a luz do teto, depois para o biombo, depois para o quadro de flores na parede...Até que acaba a droga de exame anual.
Enfim me visto. e volto a me sentar em frente à mesa da Dra.

Dra.: Está tudo bem com você, os últimos exames estavam normais, você só precisa passar essa pomadinha aqui durante sete dias e não manter relações nesse período (ela me entrega a receita e se levanta, eu também me levanto, ela me estende a mão).Tudo de bom, se possível, retorne daqui a 40 dias, não suma como da última vez. Ok?

Eu: Ok. Tchau, tchau.

Saí do consultório, pensando; que até foi bom ter brigado com o Vagner, imaginei como seria romântico eu dizer a ele: “Amor, esta semana não podemos transar porque eu tenho que fazer um tratamento, vou te trocar por um embolo cheio de creme vaginal todas as noites...”
No caminho de volta, começou a chover e o trânsito piorou ainda mais. Na revista, a essa altura, só tinha vaga no estacionamento sem cobertura, cheguei ensopada e tive que me secar no banheiro, com papel toalha. Sentei-me em frente ao computador para terminar a matéria sobre “O Cotidiano das Modelos Adolescentes”. Será que elas também vão ao ginecologista?

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

O Doidinho

Ao som de James Brown, ele chegou feito uma enxurrada de tempestade paulistana no verão. Pequeno, cabelos encaracolados, sorriso amplo, ritmo acelerado, beijo sabor churrasco. Cozinhava como um bom chef, filosofava sobre o mundo cheio de dúvida e convicção, detestava as rádios. Carinhoso, passional, louco, apaixonado, capricorniano, web designer. Tinha pouco dinheiro, uma casa grande com uma árvore, um cachorro manso, uma banda alternativa, uns amigos malucos. Usava camisetas pintadas a mão. Olhava-me como se me visse sempre pela primeira vez. Fazia amor alucinada e apaixonadamente.
Um dia a enxurrada escoou e nunca mais choveu.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Fugacidade

As duas taças ainda estão sobre a pia, sujas do vinho branco que regou a noite apaixonada de poesias e promessas, mas a paixão creditada como amor de vidas passadas, já era.
(07/março/2002)

Ultra Romântico

Quando o sol parar de brilhar
e a Terra deixar de existir
quem sabe eu deixe de te querer
mas saibas que mesmo assim
minha alma que é eterna
eternamente amar-te-á

No encontro do amor e da paz
lá sim, irei encontrar a paz do meu espirito
e deixarei minha alma repousar ao lado da sua
e sei que ambas jamais se separarão
pois o amor lá vai estar

(escrito + ou - em 1989)

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

A Despedida

Mariana não estava muito a fim de ir, mas resolveu enfrentar a tal despedida, Bob finalmente ia embora, era um motivo para comemorar. Por outro lado, todo aquele mel, o sotaque irritante chamando “Mari!!!”, ainda a faziam protelar.
Mas o Hugo tinha topado aparecer, tão brega quanto o bar, ele com certeza se divertiria e a faria rir, além disso Hugo era brega mas era divertido e gostoso.
Com todo esse espírito animador, Mariana chegou ao Bar-Karaokê, para sua surpresa, o gringo estava sentado com apenas duas amigas novas que ele havia conhecido na última viagem. Bob ficou muito feliz em ver Mariana, como sempre, ele reclamou alguma coisa, da cerveja, do atraso dos brasileiros, Mariana calmamente relevou, já que a certeza de que era a última vez, a acalentava.
Já eram quase 23hs., ele havia marcado a despedida para as 21hs., não chegara mais ninguém, ainda por cima, depois de um papo animado sobre cemitério, as outras duas únicas convidadas presentes anunciaram que tinham que ir embora por causa do horário do metrô. Provavelmente, elas estavam aliviadas por Bob ter pelo menos mais uma amiga presente e já podiam deixá-lo sem maiores constrangimentos.
Mariana já estava se cansando da despedida a dois quando Hugo chegou vestindo uma camiseta amarela que deixava seus músculos a mostra e um boné breguíssimo. Pouco depois, chegou um amigo de Hugo, em seguida Lucas, vizinho do bar e conhecido de Mariana, passou com seu cachorro e decidiu tomar uma cerveja com eles. A salvação.
Ela agora já estava mais livre e tranqüila, afinal a prática já havia mostrado que, de início Bob era uma pessoa interessante, a convivência que o tornava insuportável e como naquela mesa, ninguém mais além dela convivera com o gringo, estava tudo bem, ela pôde relaxar e brincar com Luli, o cachorro simpático do Lucas.
Por fim, chegou um amigo de Bob, Júlio, que tinha indícios de chatice, mas nada grave para uma única noite. Cervejas depois, tarde da noite, hora de pedir a conta. Abraços, promessas de escrever. Pronto. Bob vai mesmo embora, fim da despedida.
Enquanto Hugo a massageava, Mariana sentiu um alívio físico e mental. Físico, porque a massagem de Hugo era ótima. Mental, porque o fato dos amigos de Bob não terem aparecido na despedida, tirava-lhe o remorso e a fazia sentir-se uma pessoa legal de novo, porque apesar de Mariana realmente não suportar Bob, ela percebeu que ninguém o suportava mesmo.
Agora era só torcer para o vôo dele não ser cancelado.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Querer

Eu queria agora não ter que fazer mais nada a não ser escrever todas as histórias que passam pela minha cabeça, pelos meus sentidos...

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

18, 19, 20

Quase-Funhouse, caminhada, Dida, Mercearia, Filial, chopp, bolinho de arroz, teatro do acaso, plano frustrado, encontro inesperado, planos novos, visitas, Perto Demais, livros, coxa-creme, torta de chocolate, recado, juks, batuque sob a ponte, ônibus, Cordel do Fogo Encantado, Belfiore-sem-Rodrigo, cerveja, chili, confidências muitas, sono, carona, sofá, carreteiro são-paulino, cachorro pequeno, telefone, Sideways, sol, árvores, supermercado, arrumação, Chardonnay, marisco, vídeo.

Mocassim

O artista anônimo certificou-se da despedida, pegou seu parmegiana para viagem saiu do bar andando sobre seu mocassim marrom. Poderia ter ficado mais, conversando com o grandão que gostou do seu desenho e estava com sua irmã, o cara rasta falando de merda, mas ele tinha que voltar para sua mulher apaixonada ou para sua mulher gorda, ou a gorda adorável ou a magra chata, ou então voltaria para sua solidão, seu apartamento vazio, foi embora. Em casa, ligou a TV para espantar a solidão e comeu o parmegiana, sentiu-se só, pensou em bater uma, mas desistiu, adormeceu no sofá, acordou na manhã seguinte, espreguiçou muito, lavou um copo, bebeu água para matar a ressaca, passou 20 minutos debaixo do chuveiro, colocou sua roupa e foi trabalhar desanimado, ressacado, pensando: Que merda, ainda é terça-feira! Na Marechal entrou uma morena gostosa e ele pensou: Deus existe!

(escrito em outubro/2003)

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Conceição

Depois de me arrumar toda, de preto, com minha charmosa echarpe laranja, lápis nos olhos e batom na boca, chegam Ricardinho e Bruno, fumamos um e vamos rumo ao Bar Brahma.
Chegamos ao chique ambiente com lustres enormes e um público com média de idade uns 20 anos acima da nossa. Sentamos à mesa reservada para nós (localização privilegiada!) e dá-lhe chopp! Delicioso!
Finalmente chegam nossos amigos Jane e Júnior. Continuamos no chopp, Jane pede uma caipirinha de saquê e Júnior um whisky.
Sobe ao palco Ivete Soares, uma moça simpática, de voz bonita, que repete a todo instante que acabou de voltar da Itália.
Ivete Soares canta bem, eu peço um Blood Mary e penso como os integrantes da nossa mesa são figuras de aparências diferentes.
O dono do bar anuncia: CAUBY PEIXOTO!
Eu, já meio bêbada, me levanto com minha máquina fotográfica em punho. Cauby, vem do fundo bar cantando cercado de seguranças. Flashes e mais flashes vindos de todos os lados. Aplaudido de pé, ele chega ao palco.
O Júnior havia dito que ele deve ter uns 85 anos, parece menos, estilosíssimo, de terno acetinado, pedras vermelhas prendendo a gravata e os cabelos cauby, que hoje são uma bela peruca, ele canta e encanta, a voz continua impecável. Feliz com a presença de jovens, ele diz mis ou menos assim: “Na minha época as mulheres me adoravam e passaram o gosto aos filhos!”
Momentos inesquecíveis: a paradinha de mão, “tudo passará”, ninguém é de ninguém”, “togheter”, mas o ápice do show foi quando Cauby disse: “Vocês são todos maravilhosos, a mulheres são lindas, mas a maior mulher da minha vida foi: CONCEIÇÃO!!!”
É claro que ele não poderia deixar de cantar a clássica “Conceição”.
Terminado o show, muitas fotos, aplausos, nós meio bêbados, Ricardinho pede para tirar uma foto com o ídolo. Ficou ótima!
A noite foi engraçada, divertidíssima, (gastamos uma fortuna, mas foi muito bom), e pensar que a idéia de ver Cauby surgiu numa conversa de bêbados na Belfiore. Vantagens de ter amigos tão ecléticos e loucos...
As fotos estão em: http://cax.buzznet.com/

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Alberto

Naquela manhã Alberto acordou derrubando o despertador, virou e dormiu mais um pouquinho, como sempre. Só saiu da cama depois do beijo de bom dia da mulher, como toda manhã. Tomou café, como de costume. Comeu pão com manteiga e brincou com as crianças, como todo dia. Levou a mulher ao trabalho como todas as terças. Deixou os filhos na escola, como todas as terças, quartas e sextas. Voltou para casa, colocou o terno sobre a cama e entrou no chuveiro morno, como de hábito. Fechou a torneira, vestiu o roupão, caiu no chão e morreu, como nunca.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Deprimente

Deprimente é abrir o jornal pela manhã e saber que o novo presidente da câmara dos deputados é um tal de Severino Cavalcanti, um indivíduo que se diz "eterno vigilante contra a pornografia e a libertinagem", um homofóbico, moralista que já trocou de partido seis vezes e hoje está no PP, partido do nosso conhecido Paulo Maluf. Mais um estúpido com poder, um "bushizinho". Terrível!
Artigos sobre o assunto:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1602200515.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1602200507.htm

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Estranha Manhã

A menina sonhou com o ex-namorado que não vê há meses, com tiros e coisas estranhas. Acordou atrasada, teve que adiar a academia de novo. Disposta, resolveu fazer suco e sanduíche natural para o café da manhã, macarrão para o almoço.
Ouvindo Karnac, se atrasando para o trabalho, lá estava ela, estranhamente disposta para aquela hora de uma manhã nublada, fazendo seus quitutes. Então ela ouve o barulho da chave virando na porta da cozinha, achando que era a faxineira que tinha errado o dia, ela destravou o trinco...

Deu de cara com ele, praticamente a última pessoa que ela queria ver na face da terra, o gringo bonzinho, o cara mais chato do mundo, o hóspede mais inconveniente do planeta, ali na porta da sua cozinha, sem aviso prévio, dizendo "oi" com um sorriso escancarado, um presentinho e uma mochila nas costas.
Ela pensa em gritar "NÃÃOOO!!!!!!!!!" mas diz "Oi, tudo bem?"
Então eles se abraçam, ele entra, ela oferece suco, conversa um pouco enquanto termina rapidinho o que estava fazendo, comunica ao chato que ele não poderá ficar porque "Meu pai está chegando do interior amanhã".
A menina toma banho e sai fugida, só pensando que terá que agüentar aquele hóspede por mais um dia, atravessa a rua e começa a ver o tumulto, polícia, uma moça deitada no chão com os olhos de quem chorou, "O que será que aconteceu? ".
Ela pega o metrô, chegando na porta do trabalho, encontra o subchefe, seu amigo, que a acha pálida. O chefe chega depois dela. Ela vai à podóloga, dói bastante. Ela volta. O chefe recebe uma ligação: Morte inesperada na família. O chefe vai embora, realmente pálido. São 11:50 hs.
"Muita gente está tendo um dia bem pior que o meu!"

Músculos