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Mostrando postagens de 2005

Depois da tempestade

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Acordo meio zonza com o telefone, é Harumi que esqueceu a máquina e carteira.
Minha casa, parece que foi devastada pelo tsunami, mas ainda cheira levemente a churrasco.
Entro no banho e embalada pela água vou lembrando em flashes do dia anterior, a festa foi um sucesso, quanta gente! Toda essa lista aí debaixo (se não esqueci de ninguém).
Teve violão, comida, bebida, bebida, dança, karaokê, fumaça, beijo, presente, gente desmaiando no banheiro, dormindo no quarto, cantando na sala, conversando no quintal, tomando chuva, fugindo da chuva, interfone, telefone, celular tocando, gente falando (só não lembro bem o que), comemoração do tri, ó Tricolor!
São Paulinos contentes, corintianos, santistas, violeiro palmeirense, gente de todo time, amigos de muito antes, amigos novos, amigos.
A chuveirada ajuda e a Cleuzinha chega pra me salvar do tsunami. Meio zonza eu vou trabalhar, uma segunda devaneada, depois de um domingo agitado.
Adoro festas.

em 18 de dezembro de 2005

Alê amiga Noélia
Ana
Andréia
Anjinho
Araí
Bigas
Bruno (Eli)
Bruno Matos
Bruno (Ricardinho)
Carol
Cátia
Cax
César
Cleuza
Dani
Éder
Edson
Eli
Eli (Confraria)
Filipe
Flávio
Giba
Iago
Iaguinho
Irmã Andréia
Luana
Luiz
Marcus
Mariano
Namorado Andréia
Noélia
Odécio
Paula Nam.Flávio
Pu
Renata
Ricardinho
Richard
Ronan
Scot
Silvana
Simone
Tati
Tayla
Tocha
Tony
Vagner
Vicente
Vivi
Zezo

Das Dô

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Das Dô, Maria das Dores
Sertaneja forte com filho na barriga e alma de criança
Mulher casada, encantada, cheia de felicidade da ingenuidade
e de tristeza na realidade
Mulher de fibra que vibra com pombos e chora no chão
Mulher de fé e anjo da guarda, de pouca idade e pouca duração
Cheia de dor, de pavor e de amor
Mulher real do irreal
Das Dô, Das Dô
Meu Amô!

O Maninho

Eu tenho um único irmão biológico, mas é o irmão.
Irmão de verdade não só de sangue, de letra, de mesmo pai e mesma mãe, muito mais que isso, irmão mesmo. De corpo, de alma, de vida, de copo, de chão, de sonho, de separação, irmão de ombro grande e senso humor, irmão que se pode contar, irmão-cúmplice, irmão kbção, irmão bonitão, irmãozão.
Quando éramos crianças, é claro que eu adorava pentelhar o caçulinha, e ele ficava bravo e me pentelhava também, mas se alguém era contra um nós, aí mano... Era contra os dois, até a mãe e o pai...
Não é porque dividimos a infância, as casas, os apartamentos, as bicicletas, os pais, os avós, os tios, os primos, os amigos, os gatos, os cachorros, a mesa, a televisão, os natais, as brigas, as aventuras, as culpas, os traumas, as alegrias, as tristezas e toda essa coisa de irmão que é pra sempre, é porque se eu fosse escolher, eu escolheria esse irmão, meu irmão, o maninho, que hoje completa 28 aninhos.

Tem dias

Tem dias que eu queria ser nem sei o que
Queria não me preocupar, não ter contas para pagar, nem saber o que é dinheiro
Tem dias que eu queria não estar onde estou e ser livre.
Tem dias que eu queria ser pelo menos ignorante, que eu não queria nem pensar
Tem dias que eu queria voar
E tem dias que eu não queria nem existir

Plagiando Angeli

Eu odeio pessoas que ficam no meio da porta do elevador ou do metrô impedindo a passagem.
Eu odeio passar frio, principalmente se for por ar condicionado
Eu odeio 4 queijos
Adoro fotografar pessoas inesperadamente.

Um Dia a Casa Cai ou Milagres Acontecem

Há quase uma semana o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo está preso.
Hoje às 9 da manhã recebi uma mensagem no celular de um amigo:
"NEGARAM O HC DO MALUF
KKKKKKKKKKKK"
A tarde falei com meu pai e perguntei: Alguma novidade?
"Só o Maluf que continua preso"
Realmente eu, meu pai, meu amigo e várias outras pessoas estamos boquiabertos, pois não achávamos que veríamos alguma punição para essa figura mitológica do cenário brasileiro que sempre fez o que quis sem se importar com a lei, o autor da célebre frase "Estupra, mas não mata", que tem o mérito de sempre encarnar o personagem honesto de maneira farsesca e convincente para muitos. Ele e seu exército de advogados sempre conseguiram marchar impunemente sobre o dinheiro público...
Na verdade acho que nem o próprio Maluf acredita no está acontecendo, ele deve achar que logo vai acordar deste pesadelo e se candidatar às próximas eleições...

Tristeza

Dificuldade de ficar sozinho consigo
As palavras escondem, o silêncio mostra
Com a cerveja passa, com a ressaca volta,
Na corrida passa, na parada volta
Durante o sono passa, no despertar volta
Na dança passa, no descanso volta
Durante o filme passa, no letreiro volta
Na leitura passa, no final do livro volta
E volta e volta e volta...
Com o tempo diminui, se enfraquece, passa...
Às vezes volta

Hoping

Cada vez que o telefone toca, que o celular vibra, que o interfone chama...
A voz da menina do telemarketing, a mensagem da Vivo, o aviso do zelador...
Tortura, mãos geladas.

Fracasso

Quando a onda atinge seu castelinho de areia que você achou que era tão sólido, que estava tão seguro...
A onda volta para o mar e a praia continua lá como se você nunca tivesse passado por ali, como se nunca tivesse existido nada, só restam as imagens da sua cabeça, que só você ainda pode ver, que terão a duração da sua memória, mas um dia virá outra onda e castelo não existirá mais em parte alguma.

É assim

Parece que estou esperando uma ligação muito importante e o telefone vai tocar a qualquer momento
Faltam poucos minutos para a viagem que eu planejo desde a adolescência
A última palavra antes do beijo
O início daquela frase que termina com eu te amo ou acabou
O longo caminho entre a porta do meu apartamento e quem há muito espero
Os passos dentro da maternidade para conhecer meu sobrinho
Os 20 minutos finais da trilha de Machu Picchu
A adrenalidade antes de mergulhar em mar aberto
A procura pelo meu nome na lista dos aprovados
O momento em que tomo coragem e digo exatamente o que penso
Ansiedade de descobrir se está sol quando acordo no litoral
Sensação de não caber em mim
De explosão iminente
Ansiedade da primeira vez
É assim que me sinto antes de estrear uma peça e antes de cada apresentação
É assim minha paixão pelo teatro.

Carinha de Joelho

Ele chegou na quinta a noite, às 23:15 hs., enquanto eu pulava no show dos Sebosos.
Na madrugada, fui encontrar o pai com cerveja e sanduíches para comemorarmos, a mãe estava muito cansada.
Só o conheci na sexta de manhã, tão pequenino, de olhos fechados, menorzinho que meu boneco bebê da infância, que se chamava Eduardo. Ele se chama Iago "aquele que vence" acabou de vencer a primeira batalha: Chegou.
Ele até parece de brinquedo, mas é tão real, que comove todos. A mãe está deslumbrada, o pai com um sorriso permanente na cara e tia conta para todo mundo: "Virei titia!" . Todos marinheiros de primeira viagem, com olhos arregalados para não perder nenhum movimento do mais novo ser humano que eles conhecem, até parece difícil acreditar que a gente também já foi daquele tamanho.
É realmente impossível não ficar piegas e bobo diante da carinha de joelho mais lindo do mundo.

Uma Tarde Feminina

Saí correndo do trabalho, com dois estagiários me seguindo, fazendo perguntas idiotas e minha chefe me lembrando do prazo final para a entrega da matéria. Já no elevador notei que havia esquecido o endereço da médica, voltei. A tia do café quando me viu já começou a rir da minha cara: “Não esquece a cabeça porque está grudada...hahahá!”
No estacionamento, meu carro estava espremido entre dois outros enormes, atrás de um fusquinha amarelo, me atrasei mais ainda.
Enfim consegui sair do prédio, peguei um puta trânsito na Brigadeiro. Correndo e suando cheguei ao consultório 20 minutos atrasada, entreguei a carteirinha do convênio à secretária, a sala de espera estava lotada, me espremi entre uma senhora falante e uma grávida enorme, procurei uma revista na mesinha, as opções: doenças, gestantes, fofocas...Por sorte achei um almanaque da Mônica, quadrinhos e mais quadrinhos depois dra. Esmeralda aparece na porta e anuncia meu nome. Lá vou eu.

Dra.: Oi! Tudo bem?

Eu: Tudo!

Dra.: Sente-se

Eu: Obri…

O Doidinho

Ao som de James Brown, ele chegou feito uma enxurrada de tempestade paulistana no verão. Pequeno, cabelos encaracolados, sorriso amplo, ritmo acelerado, beijo sabor churrasco. Cozinhava como um bom chef, filosofava sobre o mundo cheio de dúvida e convicção, detestava as rádios. Carinhoso, passional, louco, apaixonado, capricorniano, web designer. Tinha pouco dinheiro, uma casa grande com uma árvore, um cachorro manso, uma banda alternativa, uns amigos malucos. Usava camisetas pintadas a mão. Olhava-me como se me visse sempre pela primeira vez. Fazia amor alucinada e apaixonadamente.
Um dia a enxurrada escoou e nunca mais choveu.

Fugacidade

As duas taças ainda estão sobre a pia, sujas do vinho branco que regou a noite apaixonada de poesias e promessas, mas a paixão creditada como amor de vidas passadas, já era.
(07/março/2002)

Ultra Romântico

Quando o sol parar de brilhar
e a Terra deixar de existir
quem sabe eu deixe de te querer
mas saibas que mesmo assim
minha alma que é eterna
eternamente amar-te-á

No encontro do amor e da paz
lá sim, irei encontrar a paz do meu espirito
e deixarei minha alma repousar ao lado da sua
e sei que ambas jamais se separarão
pois o amor lá vai estar

(escrito + ou - em 1989)

Ressaca

Devem existir coisas piores, mas quando ela está em você, a ressaca é a pior coisa do mundo.

A Despedida

Mariana não estava muito a fim de ir, mas resolveu enfrentar a tal despedida, Bob finalmente ia embora, era um motivo para comemorar. Por outro lado, todo aquele mel, o sotaque irritante chamando “Mari!!!”, ainda a faziam protelar.
Mas o Hugo tinha topado aparecer, tão brega quanto o bar, ele com certeza se divertiria e a faria rir, além disso Hugo era brega mas era divertido e gostoso.
Com todo esse espírito animador, Mariana chegou ao Bar-Karaokê, para sua surpresa, o gringo estava sentado com apenas duas amigas novas que ele havia conhecido na última viagem. Bob ficou muito feliz em ver Mariana, como sempre, ele reclamou alguma coisa, da cerveja, do atraso dos brasileiros, Mariana calmamente relevou, já que a certeza de que era a última vez, a acalentava.
Já eram quase 23hs., ele havia marcado a despedida para as 21hs., não chegara mais ninguém, ainda por cima, depois de um papo animado sobre cemitério, as outras duas únicas convidadas presentes anunciaram que tinham que ir embora por…

Querer

Eu queria agora não ter que fazer mais nada a não ser escrever todas as histórias que passam pela minha cabeça, pelos meus sentidos...

18, 19, 20

Quase-Funhouse, caminhada, Dida, Mercearia, Filial, chopp, bolinho de arroz, teatro do acaso, plano frustrado, encontro inesperado, planos novos, visitas, Perto Demais, livros, coxa-creme, torta de chocolate, recado, juks, batuque sob a ponte, ônibus, Cordel do Fogo Encantado, Belfiore-sem-Rodrigo, cerveja, chili, confidências muitas, sono, carona, sofá, carreteiro são-paulino, cachorro pequeno, telefone, Sideways, sol, árvores, supermercado, arrumação, Chardonnay, marisco, vídeo.

Mocassim

O artista anônimo certificou-se da despedida, pegou seu parmegiana para viagem saiu do bar andando sobre seu mocassim marrom. Poderia ter ficado mais, conversando com o grandão que gostou do seu desenho e estava com sua irmã, o cara rasta falando de merda, mas ele tinha que voltar para sua mulher apaixonada ou para sua mulher gorda, ou a gorda adorável ou a magra chata, ou então voltaria para sua solidão, seu apartamento vazio, foi embora. Em casa, ligou a TV para espantar a solidão e comeu o parmegiana, sentiu-se só, pensou em bater uma, mas desistiu, adormeceu no sofá, acordou na manhã seguinte, espreguiçou muito, lavou um copo, bebeu água para matar a ressaca, passou 20 minutos debaixo do chuveiro, colocou sua roupa e foi trabalhar desanimado, ressacado, pensando: Que merda, ainda é terça-feira! Na Marechal entrou uma morena gostosa e ele pensou: Deus existe!

(escrito em outubro/2003)

Conceição

Depois de me arrumar toda, de preto, com minha charmosa echarpe laranja, lápis nos olhos e batom na boca, chegam Ricardinho e Bruno, fumamos um e vamos rumo ao Bar Brahma.
Chegamos ao chique ambiente com lustres enormes e um público com média de idade uns 20 anos acima da nossa. Sentamos à mesa reservada para nós (localização privilegiada!) e dá-lhe chopp! Delicioso!
Finalmente chegam nossos amigos Jane e Júnior. Continuamos no chopp, Jane pede uma caipirinha de saquê e Júnior um whisky.
Sobe ao palco Ivete Soares, uma moça simpática, de voz bonita, que repete a todo instante que acabou de voltar da Itália.
Ivete Soares canta bem, eu peço um Blood Mary e penso como os integrantes da nossa mesa são figuras de aparências diferentes.
O dono do bar anuncia: CAUBY PEIXOTO!
Eu, já meio bêbada, me levanto com minha máquina fotográfica em punho. Cauby, vem do fundo bar cantando cercado de seguranças. Flashes e mais flashes vindos de todos os lados. Aplaudido de pé, ele chega ao palco.
O Júnior havia…

Alberto

Naquela manhã Alberto acordou derrubando o despertador, virou e dormiu mais um pouquinho, como sempre. Só saiu da cama depois do beijo de bom dia da mulher, como toda manhã. Tomou café, como de costume. Comeu pão com manteiga e brincou com as crianças, como todo dia. Levou a mulher ao trabalho como todas as terças. Deixou os filhos na escola, como todas as terças, quartas e sextas. Voltou para casa, colocou o terno sobre a cama e entrou no chuveiro morno, como de hábito. Fechou a torneira, vestiu o roupão, caiu no chão e morreu, como nunca.

Deprimente

Deprimente é abrir o jornal pela manhã e saber que o novo presidente da câmara dos deputados é um tal de Severino Cavalcanti, um indivíduo que se diz "eterno vigilante contra a pornografia e a libertinagem", um homofóbico, moralista que já trocou de partido seis vezes e hoje está no PP, partido do nosso conhecido Paulo Maluf. Mais um estúpido com poder, um "bushizinho". Terrível!
Artigos sobre o assunto:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1602200515.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1602200507.htm

Estranha Manhã

A menina sonhou com o ex-namorado que não vê há meses, com tiros e coisas estranhas. Acordou atrasada, teve que adiar a academia de novo. Disposta, resolveu fazer suco e sanduíche natural para o café da manhã, macarrão para o almoço.
Ouvindo Karnac, se atrasando para o trabalho, lá estava ela, estranhamente disposta para aquela hora de uma manhã nublada, fazendo seus quitutes. Então ela ouve o barulho da chave virando na porta da cozinha, achando que era a faxineira que tinha errado o dia, ela destravou o trinco...
Deu de cara com ele, praticamente a última pessoa que ela queria ver na face da terra, o gringo bonzinho, o cara mais chato do mundo, o hóspede mais inconveniente do planeta, ali na porta da sua cozinha, sem aviso prévio, dizendo "oi" com um sorriso escancarado, um presentinho e uma mochila nas costas.
Ela pensa em gritar "NÃÃOOO!!!!!!!!!" mas diz "Oi, tudo bem?"
Então eles se abraçam, ele entra, ela oferece suco, conversa um pouco enquanto termina…