terça-feira, julho 25, 2006

Imagens da Sé


Quase todos os dias meus olhos assistem a muitas imagens na praça da Sé, num dia crianças montadas numa vaquinha, noutro, um beijo apaixonado na saída do metrô, enquanto freiras e monges descem a escada rolante, ao lado de um cantor de samba, em plena atividade.
O rapaz sorridente lendo poesias, ou o razinza atropelando todo mundo para sair do trem; Uma vez, até ganhei um livro de poesias de um escritor simpático “Sonetos do último Quarto do Século XX – Volume V”.
Já ensinei um rapaz a passar na catraca, já presenciei vários manifestos, já ouvi várias pregações, algumas estapafúrdias, já parei para fotografar o sol entre as arvores da praça.
A poucos dias, saindo do buraco do metrô, vi uma moça que gritava: “Doeu, doeu! Tá doendo ainda!” Ela repetiu a dor muitas vezes, em gritos de desabafo, durante todo o dia pensei naquela mulher, que era provavelmente mais jovem que eu, mas que já deve ter vivido coisas que nem imagino, imaginei qual seria a causa de tanto sofrimento, mas eu nunca saberei exatamente. Teria enlouquecido? E o que seria enlouquecer? A consciência plena da realidade ou a falta dela?
Percebi que somente quando eu chegar perto do entendimento daquela dor imensa, poderei fazer, de verdade, o papel que me foi dado “A Africana”. Senti medo, entender o sofrimento alheio dói, porque é preciso suspender a anestesia natural.
Hoje, dia de sol, feliz, perdida em pensamentos românticos sob a trilha de Schumann, desci novamente na praça da Sé, dentre várias imagens, eu vi nitidamente um cachorrinho preto, filhote, simpático, abanar o rabo para um humano, de blusa amarela, que respondeu ao agrado com um chute horrível.
Eu gritei: Bruto!
O homem de blusa amarela seguiu seu caminho sem olhar pra trás
O cachorrinho saiu choroso e eu vi sua protetora embaixo da carriola de papelão acolhendo-o e escondendo-se como se a agressão tivesse sido dirigida a ela própria.
Segui para o trabalho.

terça-feira, julho 11, 2006

A Farsa do Boi Surubão


A Confraria da Paixão estará apresentando, nos dias 14, 15 e 16 de julho, às 19:00 horas, no Teatro Julia Bergmann, o espetáculo A Farsa do Boi Surubão.
O tema do espetáculo é a literatura de cordel. Conta a história de um poeta popular que sai pelo mundo vendendo seus folhetos. Em sua saga, mostra ao público quatro de suas histórias: A virgem que se pensou incomodada por causa do desmantelo; A menina que ficou prenha vendo o boi iluminado; De como o Senhor Nosso Deus resolveu dar um fim à bandalheira; e O sujeito que meteu a mão na cumbuca e arranjou um par de chifres.

Elenco:
Bruno Matos
Cátia de Oliveira
Cax Nofre
Di Crunfli
Éder Soares
Eduardo Poyares
Filipe Barbo
Leda Abade
Luiz de Assis Monteiro
Silvana de Oliveira
Vagner Anjinho
Vicente Chala
Texto e direção: Luiz de Assis Monteiro.

O Teatro Julia Bergman fica na Rua Cruzeiro, 256 - Barra Funda.
Fone: 3392.4240 (www.teatrojb.com.br)

sábado, julho 08, 2006

Giovanni Pasquini

Não tenho mais dúvidas, io vou torcer para a Azurra domani! Perchè hoje eu conheci o Senhor Giovanni Pasquini.
Depois da minha aula de palhaço, em que a Cax tomou bronca do palhaço dela, eu fui fazer compras e na volta resolvi comprar uma bota Sete Léguas para lavar o espaço de ensaio do Trocadilhos & Sobressaltos, quando eu estava experimentando minha bota dois números além do meu, recebi o sorriso simpático de um senhor bem humorado de boina, que me deu conselhos de graça e se apresentou como artista plástico e escritor, uma pessoa cheia de luz que escreveu Palavras Reflexões e Cores, Confissões de um Menino de 70 Anos, pintou um quadro que está no Sapori de Rose no Copan e em breve terá uma exposição.
Meu vizinho, que foi comprar meio litro de cloro, enquanto eu experimentava minha bota Sete Léguas!
Percebo que desde ontem estou em ótima sintonia, pois tenho atraído coisas muito boas e hoje teve palhaço, amanhã tem boi, durante a semana muita peça, ensaio, dedicação agitação...
A vida segue louca e boa, não importa se como um trem, um avião ou um coração.
Dali Azurra!

quinta-feira, julho 06, 2006

Pé Frio

Eu estou começando a achar que sou pé-frio.
Primeiro, porque sou friorenta pra caralho, e meu pé fica literalmente frio.
Segundo, porque a Copa 2006 tem me convencido do sentido metáfórico do pé frio.
Eu torci para o Brasil, é claro! E não preciso repetir (mas vou) que nos demos bem mal.
Hoje eu torci pra Portugal, por causa do Felipão, do Deco e do meu bisavô (e porque era contra a França), mas Portugal teve a mesma sina da seleção amarelada: 1 a 0 pros França.
Os lusitanos estarão a disputar o 3º lugar, seleção valente!
Pensando bem, ontem eu torci para o Itália e não é que a Itália ganhou?! Vai ver que eu não sou tão pé frio, a Azurra está na final, quase foi desclassificada merecidamente pela Austrália, mas está lá na final e ninguém vai lembrar deste "detalhe" se eles levarem a taça.
Aí vem meu dilema, domingo tem França e Itália, não sou dessas que consegue não torcer pra ninguém numa Copa do Mundo (mesmo depois do quadrado mágico ter caído no buraco negro).
Torcer pra França será difícil, pois, embora eu tenha meu amigo francês, Gui, que eu adoro... Dor de cotovelo é dor de cotovelo, e já são duas Copas que, pelos pés dos chéris, as estrelas do Brasil se transformam em tristeza dos brasileiros (e nada do Zidane dizer au revoir!).
Já a Itália, não consta do meu currículo conhecido de ascendência, mas meu amigo querido Iago, embora não fale italiano, nem conheça a Itália (ainda) é italiano, além do mais, eu já vi a Itália perder do Brasil naquele penalti-lua do Baggio (contra aquela nossa seleção retranqueira feia de 94, que nos trouxe o tetra) e não vi o Brasil perder ridiculamente duas vezes seguidas da Azzura. Ou seja: Eu não tenho dor de cotovelo da Itália.
E dor de cotovelo é dor de cotovelo!
Mas daí me fica a dúvida: E se eu for mesmo pé frio?
Será que torço ao contrário?

domingo, julho 02, 2006

seria melhor não recordar

Em 1986, eu estava na casa minha amiga Laine, a mesma que depois disse que não gostava de mim, o Zico bateu o penalti e não fez o gol. Acabava ali a Copa de 1986 para o Brasil.
Em 1990, eu, adolescente, escrevi no meu diário, sobre a derrota do Brasil, apesar da seleção brasileira ter jogado melhor, perdeu para a Argentina e fomos eliminados da Copa.
Em 1998, eu assiti ao fatídico jogo de final da Brasil x França, com o Falavigna e pai dele, Sr. Oscar, que não veria o Brasil Penta, não vou me torturar ainda mais lembrando deste jogo, mesmo porque, há poucas horas atrás eu assisti a outra tragédia com os mesmos personagens, e o mesmo vitorioso algoz.
Em 1º de julho de 2006, Brasil e França se enfrentam pelas quartas de final da Copa do Mundo, em clima de revanche (pelo menos para os torcedores). Meus amigos chegados vieram à minha casa, fizemos churrasco tomamos cerveja, cantamos o hino, Iaguinho balançando a bandeira... A seleção entrou em campo com boa marcação, escalação promissora, todo mundo feliz, cheio de esperança... E as coisas começaram a dar errado, muito errado, a maldita premonição do Pelé começou a tomar forma, ele jamais deveria ter aberto a boca... Jogamos mal, no segundo tempo a foto da partida se concretizou, o maldito francês fez o gol. O relógio não parou, o Brasil não marcou. Perdemos. Voltou aquela sensação horrível, de 8 anos atrás. Parecia que eu levara um soco no estômago.
Todo mundo ficou triste, o clima do churrasco mudou. A Copa acabou para nós. Eu queria mesmo ficar feliz, esquecer isso tudo, bola pra frente...Bola?!
Gostar de futebol, não é um casamento com direito a divórcio.
Dormi atordoada, tive pesadelo, acordei cedo.
Sorte do Iaguinho, que ainda não entende nada disso.
Só nos resta torcer para o Portugal de Felipão, ou esquecer essa história de futebol (como se fosse possível...).
Que o teatro me seja analgésico hoje.

Músculos