sexta-feira, março 25, 2005

Carinha de Joelho

Ele chegou na quinta a noite, às 23:15 hs., enquanto eu pulava no show dos Sebosos.
Na madrugada, fui encontrar o pai com cerveja e sanduíches para comemorarmos, a mãe estava muito cansada.
Só o conheci na sexta de manhã, tão pequenino, de olhos fechados, menorzinho que meu boneco bebê da infância, que se chamava Eduardo. Ele se chama Iago "aquele que vence" acabou de vencer a primeira batalha: Chegou.
Ele até parece de brinquedo, mas é tão real, que comove todos. A mãe está deslumbrada, o pai com um sorriso permanente na cara e tia conta para todo mundo: "Virei titia!" . Todos marinheiros de primeira viagem, com olhos arregalados para não perder nenhum movimento do mais novo ser humano que eles conhecem, até parece difícil acreditar que a gente também já foi daquele tamanho.
É realmente impossível não ficar piegas e bobo diante da carinha de joelho mais lindo do mundo.

terça-feira, março 15, 2005

Uma Tarde Feminina

Saí correndo do trabalho, com dois estagiários me seguindo, fazendo perguntas idiotas e minha chefe me lembrando do prazo final para a entrega da matéria. Já no elevador notei que havia esquecido o endereço da médica, voltei. A tia do café quando me viu já começou a rir da minha cara: “Não esquece a cabeça porque está grudada...hahahá!”
No estacionamento, meu carro estava espremido entre dois outros enormes, atrás de um fusquinha amarelo, me atrasei mais ainda.
Enfim consegui sair do prédio, peguei um puta trânsito na Brigadeiro. Correndo e suando cheguei ao consultório 20 minutos atrasada, entreguei a carteirinha do convênio à secretária, a sala de espera estava lotada, me espremi entre uma senhora falante e uma grávida enorme, procurei uma revista na mesinha, as opções: doenças, gestantes, fofocas...Por sorte achei um almanaque da Mônica, quadrinhos e mais quadrinhos depois dra. Esmeralda aparece na porta e anuncia meu nome. Lá vou eu.

Dra.: Oi! Tudo bem?

Eu: Tudo!

Dra.: Sente-se

Eu: Obrigada

Dra.: Com que idade você está?

Eu: 32.

Dra.: Data da última menstruação?

Eu: 7 de fevereiro

Dra.: Ainda está usando o Mercilon?

Eu: Não, parei.

Dra.: Está usando o que?

Eu: Camisinha.

Dra.: Só?

Eu: Só.

Dra.: Muito bem. E filhos?

Eu: Não penso em ter.

Dra.: Não???

Eu: Não.

Dra.: O que aconteceu com as moças de antigamente? Não quer mesmo?

Eu: Já tenho dois sobrinhos que eu adoro.

Dra.: Atualmente a mulher pensa na carreira, tem muitas atividades, e quando resolve que quer ter filhos, pode estar ficando tarde, mas hoje em dia a mulher não tem mais aquela obrigação de casar, pode curtir a vida, viajar...

Eu: Ainda bem não é?!

Dra.: Parceiro fixo?

(Nesse ponto, lembrei do meu dentista que quando soube que eu não tinha namorado, quis me empurrar o filho maluco)

Eu: Sim.

Dra.: Quantos anos ele tem?

Eu: 39

Dra.: E ele não pensa em ter filhos?

Eu: Não sei, estamos namorando há quatro meses, acho um pouco cedo para falarmos sobre filhos.

Dra.: É cedo realmente. Vamos ver como você está? Tire o sapato e suba na balança.

Dra.: 62 quilos. Precisamos fazer uma ginástica para perder a barriguinha!

Eu: É verdade, mas dá uma preguiça!

Dra.: Vamos passar para a salinha ao lado?

Lá vou eu para a tal salinha, tiro a roupa e me encaixo naquele horrível divã na posição frango assado, eu olho a luz do teto, a Dra. diz para eu relaxar enquanto conversa com assistente e mexe nas minhas íntimas entranhas, eu olho de novo para a luz do teto, depois para o biombo, depois para o quadro de flores na parede...Até que acaba a droga de exame anual.
Enfim me visto. e volto a me sentar em frente à mesa da Dra.

Dra.: Está tudo bem com você, os últimos exames estavam normais, você só precisa passar essa pomadinha aqui durante sete dias e não manter relações nesse período (ela me entrega a receita e se levanta, eu também me levanto, ela me estende a mão).Tudo de bom, se possível, retorne daqui a 40 dias, não suma como da última vez. Ok?

Eu: Ok. Tchau, tchau.

Saí do consultório, pensando; que até foi bom ter brigado com o Vagner, imaginei como seria romântico eu dizer a ele: “Amor, esta semana não podemos transar porque eu tenho que fazer um tratamento, vou te trocar por um embolo cheio de creme vaginal todas as noites...”
No caminho de volta, começou a chover e o trânsito piorou ainda mais. Na revista, a essa altura, só tinha vaga no estacionamento sem cobertura, cheguei ensopada e tive que me secar no banheiro, com papel toalha. Sentei-me em frente ao computador para terminar a matéria sobre “O Cotidiano das Modelos Adolescentes”. Será que elas também vão ao ginecologista?

Músculos