cantinho quentinho
Balanço as ancas esquecidas das costas cansadas Meu corpo cisca, faísca Risca o assoalho com pantufas Barriga e mente vazias Caminham como estrias Até o vizinho poético e invisível na noite fria Abaixado sob o elevado? Confinado no abrigo sem abraço? O imagino aquecido e sorridente Como se a imaginação pudesse ser o que ele sente Tão educado olhos marejados ao falar do velho pai “Seu” Tibiriçá ocupa minhas linhas No cantinho quentinho Cheio de meus pedaços em peças Penduradas, espalhadas Meu cantinho privilegiado em pijama aveludado Realidade navalha sem falha parece longe Mas fica bem ali na esquina Alongo a cabeça feito o gato Chico adormecido Chico viveu na rua metade da vida Ainda sente gosto pela fuga Mas se derrete todo afofando minha barriga Enquanto pede cafuné. O que fazia Chico antes do meu cafuné? E Tibiriçá? Tinha cantinho quentinho? Que caminho trouxe meu vizinho Até a quina sem ninho? texto inspirado na mú...