Neverland

A terra do nunca parecia um filme. Em 30 metros sumia-se da vista, como se passássemos para outra dimensão, os trens antigos, o pó a capela e o museu em meio a gerânios coloridos e caminhos de grama me faziam crer que era um sonho, que era Neverland! Eu me sentia a Sininho sobrevoando a grande roda e a jovem personagem de Pinter andando sobre os trilhos. O homem de macacão sujo, alimentando a locomotiva com grandes fachos de lenha, me deu a impressão de que eu encontraria minha bisavó, elegantemente trajada em cinza, contrastante aos seus olhos azuis, usando um belo chapéu, prestes a tomar o trem para o Rio. O cachorro da estação dormia, a névoa combinava comigo, ainda combina. Eu, amante do sol, me encantei com a neblina embriagante e brinquei como uma criança girando meu Peterpanzinho e vagando por vagões e ruas ladrilhadas em paralelepípedos donde, às vezes, do nada, do branco, surgiam belas crianças correndo. Os galpões de madeira e planta e as casas antigas e conservadas pareciam ...