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Natalina

Antecipação, esta sempre foi a solução para comemorar meu aniversário. Sorte que não pertenço a uma família supersticiosa e não acredito que comemorar aniversário antes dá azar. Tampouco considero azar ter nascido no dia de natal, mas que é uma data complicada para aniversariar, isso é. Não sei se foi a conjuntura astrológica do momento do meu nascimento que resultou em uma pessoa festeira, o fato é que gosto de comemorar e foda-se o inferno astral. A tarde de 16 de dezembro de 2018 foi escolhida para festejar meus 44 anos, local: Casa de Ramon Paladar, nosso pequeno restaurante, o que significou reduzir o número de convidados. Só que eu não tinha percebido que meu aniversário se transformou na comemoração oficial de final de ano da turma, os amigos chamaram os outros amigos, eram muitos amigos... E a Casa de Ramon foi ficando pequena... e estava calor... e tinha uma churrasqueira a plena fumaça, quente... o rosto do Ramon, o anfitrião, foi ficando atomatado, suado, agoni...

Goiás

Sob o sol e a lua Ouro e prata  Que dividem o mesmo azul Depois da chuva Encharcada de poesia Me perco nas nuvens Que desaparecem no azul Imenso que me inunda Apesar da minha tempestade vermelha como o rio  A cerveja reluz e refresca O pensamento voa para além da algazarra das maritacas verdes como as folhas da Serra Dourada  Iluminada, chorosa Tão encontrada como perdida Peço a bênção de Cora  Para seguir a vida e a poesia.

Luzes Coloridas

(Tema 45: Naquela festa , você mandava bem na dança , conseguindo chamar a atenção da pessoa que lhe interessava. Só não podia esperar a catastrófica interferência da Berenice...)     Quinta-feira, o melhor dia da semana, dia de poesia. Noite de poemas com Gílson e Felipe, depois quintaduzamigos que se traduzia em encontros com pessoas queridas de longa data e com meu amor platônico de sob as luzes coloridas e circulares do Boteco Prato do Dia. Nem o fantasma da sonolenta manhã de sexta-feira conseguia diminuir o divertimento e o lirismo. O Prato do Dia, nosso lugar preferido, além de ser ótimo, tocar só boa música brasileira, fica ao lado de casa, não à toa, apelidado de quintal... Fora a companhia impagável dos melhores amigos, meu plus lírico atendia pelo apelido de Lírio... Ah... Lírio: DJ residente, com set list maravilhoso, host, sócio, faz-tudo do coletivo Prato do Dia. Alto, magro, barbudo, olhos claros de mergulho, jovem de alma velha... me ap...

Acetona

Eu devia ter uns oito anos, estava na casa do meu primo Rogerinho, na verdade, estava com a esposa dele, a prima Vera, éramos vizinhos, morávamos no mesmo quarteirão. Aliás, a prima Vera (eu ainda adoro falar este nome) era muito legal, eles tinham uma filha mais nova do que eu, a Rogerinha, que gostava muito de mim, eu gostava de visitá-los. Sempre achei engraçado, apesar de nada criativo, tantas pessoas da mesma família com o mesmo nome: Rogério, meu tio, Rogerinho, meu primo, Rogerinha, minha priminha e depois ainda viria outro priminho, o Rogerico. Enfim, eu estava lá, com a prima Vera e a Rogerinha, iríamos à FECCIB – Feira Citrícola, Comercial e Industrial de Bebedouro, a popular Festa da Laranja, eu estava animadíssima, mas meu esmalte cor-de-rosa estava descascando, então, atendendo ao meu pedido, prima Vera trouxe acetona e algodão para resolver o problema, só que, desde aquela época, a “desastrice” já me acompanhava, acabei derrubando acetona no sofá novo dos primos...

Capricórnio

“Eu sei que vou te amar, por toda minha vida eu vou te amar...” Tocava Vinícius no toca-fitas do papai, acordei bem humorada, além disso, enquanto eu tomava banho, a voz rouca do Paulo Costa na rádio Bebedouro, anunciava um dia de sorte no amor para os capricornianos. Era o dia – pensei - sábado de sol reservado para estudar literatura com o Fernando, meu melhor amigo, minha paixão platônica. Pois bem, minha mãe me deixou em frente da casa rosada do meu amado, com vista para pracinha Primavera, Fê apareceu logo lindo e afetuoso como sempre, abraço cheiroso. Fomos para o quarto dele, lemos poemas, falamos sobre o parnasianismo, fizemos os exercícios do livro, mas foi quando Fernando leu Olavo Bilac: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas". Me decidi: - Fê, gosto de você - Eu também te adoro, Clau - Mas Fê, eu gosto de você, tipo goosto mesmo... O olhar de espanto dele, abandonando o livro, não tin...

Valores

Contra o ruim Contra o retrocesso Contra o desamor Contra o racismo Contra o ódio Contra o machismo Contra a homofobia Contra a gordofobia Contra a misoginia Contra a xenofobia Contra a tortura Contra o fascismo Contra o mal Pelo bom Pela evolução Pelo amor Pela integração Pela empatia Pelo feminismo Pela simpatia Pelo acolhimento Pela sororidade Pela solidariedade Pelo diálogo Pela democracia Pelo bem #elenão #elenao #elejamais #elenunca

7 cachoeiras

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Férias de julho, namorado professor... boa época para viajar. Pois bem, chegamos à tarde a São Luiz do Paraitinga e aproveitamos a simpática cidade até o começo da noite quando Valdair, o uberista da pousada nos pegou. Seguimos pela serra numa estrada bem bandida, mas que terminava num local bonito e promissor, pousada de bom gosto, donos simpáticos, enormes cachorros amigáveis. Nosso chalé, com lareira, aconchegante, a primeira noite promissora : vinho, ofurô, clima de lua de mel. Ao amanhecer, seguimos por um belo caminho ao restaurante para um delicioso café da manhã, encontramos nossos novos amigos: Dani, simpática e ansiosa e seu marido William, simpático, tranquilo e praticante de jiu jitsu, tudo ia bem, os donos da pousada Nilza e José Carlos de uma paz de confortar o coração. E eis que chegam os novos novos amigos: casal atibaiense, Luiz Gilberto e Ana Cláudia. Ela: professora de educação física, trilheira profissional e agradável. Ele: piloto de avião, advogado, ...